Caminhos do Pensamento

Você conhece a Alegoria da Caverna?

Edição 002 · · Caminhos do Pensamento


Autor

Fabio Domingues

Fabio Domingues

Fabio é o criador e apresentador do Canal Planetários. Teósofo e estudioso das obras dos grandes mestres da humanidade, assim como das escrituras consideradas sagradas. Busca o conhecimento por meio da Sabedoria Iniciática das Idades, a Gupta-Vidya, hoje conhecida como Teosofia. Por trás das câmeras, Fabio é professor de voz, músico e comunicador, em constante busca da verdade.

Rabizo - Caminhos do Pensamento
Olá, caro leitor! Você já assistiu ou pelo menos conhece algum destes três filmes: Matrix, O Show de Truman ou O Labirinto do Fauno? Saberia dizer o que os une, o que há em comum entre eles? Sim? Não?
Pois bem, além de serem uma ficção, obviamente, todos foram inspirados na Alegoria da Caverna, escrita por Platão por volta de 380 a.C., no Livro VII de sua obra A República, sendo considerada por muitos como uma das metáforas mais célebres da filosofia ocidental.
Alegoria da Caverna de Platão?
Pintura Clássica Caverna de Platão
LA GROTTE DE PLATON, MICHIEL COXCIE
É bem provável que você já tenha ao menos ouvido falar nela, ou como se diz popularmente, o Mito da Caverna.
Análises filosóficas, acadêmicas, tendem sempre a ir pelo mesmo caminho e direção, e por essa razão, não é surpresa alguma que os resultados alcançados sejam sempre os mesmos.
Que tal mudarmos? Afinal, qual a graça em repetir a mesma receita?
E sigo com outra pergunta. Seria razoável considerar a possibilidade de Platão ter deixado um conhecimento velado? Um simbolismo oculto, quase nunca mencionado?
Veremos.
É muito importante reforçar que tal obra foi escrita aproximadamente 400 anos antes de Cristo
E digo isso para que não se limite, caso venha a acontecer, a comparação a um único ser, afinal qualquer semelhança com os fatos, não é mera coincidência, haja vista que tal fenômeno não existe.
Analisemos.
Dentro de uma caverna, no fundo, existem pessoas acorrentadas. Elas estão presas de tal forma que não conseguem se mover, apenas olhar para frente.
Essa caverna é iluminada por uma fogueira que projeta nas paredes a sombra de objetos e animais carregados por outros homens.
Como essas pessoas acorrentadas estão lá desde sempre, as sombras que elas enxergam, não apenas são a única realidade que elas conhecem, como o que veem é a mais pura e absoluta verdade.
Até que um desses acorrentados se liberta, por conta própria, e essa é uma informação importante, levanta-se, olha para trás, vê a fogueira, vê os outros homens carregando os objetos e também vê que existe um caminho íngreme e difícil até uma outra luz, na saída da caverna.
Ele percorre esse caminho em direção à luz com certa dificuldade, entre escorregões e arranhões, até que finalmente sai da caverna e se depara com um mundo desconhecido, iluminado pelo Sol.
Mas é claro que seus olhos doem por conta de tamanho brilho
No começo, ele não consegue sequer olhar diretamente para as coisas, tem dificuldade de enxergar, mas com o passar do tempo, vai se acostumando com a luz do novo mundo e percebe que pode olhar o Sol ao menos pelo reflexo na água.
E quanto mais o tempo passa, mais se acostuma até que um dia consegue olhar diretamente...
E contempla o Sol.
E aqui é necessário entender que A Alegoria da Caverna corresponde diretamente à Iniciação, afinal, o Autor foi um verdadeiro Iniciado, um Ser de Alta Hierarquia, tal informação a academia desconhece.
A metáfora de contemplar o Sol é associada àquele que atinge o ponto máximo, o ápice da “saída da caverna”, tornando-se um Iluminado, um Adepto da LEI que a Tudo e a Todos rege, integrando-se totalmente ao Mundo das Ideias, ou seja, ao próprio Deus.
Mas não podemos nos esquecer daqueles infelizes ainda acorrentados dentro da Caverna. E aqui abre-se a possibilidade de voltar para a escuridão na tentativa de alertar aqueles que ainda estão presos, mostrar que a realidade, aparente para eles, não passa de mera ilusão.
Será isso o verdadeiro Sacro-ofício?
A Proposta de Sócrates
Retornemos à Obra de Platão. No diálogo, Sócrates propõe que Glauco imaginasse o que aconteceria com esse homem, caso ele optasse por voltar para a caverna e dizer que a “verdade” que os acorrentados acreditam não é real, é uma Maya, uma ilusão.
Apenas sombras.
Sócrates continua a dizer que esse homem, ao retornar para a caverna, teria os olhos cegados pelas trevas da escuridão e seria ainda mais cego do que quando se encontrava acorrentado, afinal, seria impossível readaptar-se à escuridão após ter contemplado o Sol.
Aproximar-se daquelas pessoas, avisar que estão acorrentadas, e que existe um Sol do lado de fora, representaria uma ameaça à verdade cega e absoluta daqueles que ainda estão presos e acreditando nas sombras da parede.
Imagine você, caro leitor, que os acorrentados não teriam a capacidade de compreender nem ao menos a ideia de “fora”, afinal não conhecem nada além das sombras.
E por mais que tentasse explicar, não acreditariam, seriam hostis e além de ridicularizar, se revoltariam com aquele que ousasse tentar trazer uma nova ideia.
Uma nova Verdade
Isso não é uma ficção, é a realidade de todos os Avataras, aqueles que vêm trazer a boa nova, o fato de terem contemplado o Sol. Eles são desprezados e tidos muitas vezes como loucos por aqueles que “estão acorrentados”.
Afinal, não compreendem.
E se porventura ele procurasse libertá-los e conduzi-los para cima, não acha que se pudessem pegá-lo e matá-lo, não o fariam?
- Sócrates, em diálogo com Glauco
Ilustração Sacra
SALVATOR MUNDI (1570), TITIAN
E Glauco responde: “Matariam, sem dúvida”.
Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência, já que entendemos que tal fenômeno não existe.
Não se esqueçam de que a Alegoria da Caverna foi escrita aproximadamente 400 anos antes do Cristo. Platão não previa o futuro, apenas relatava o que era recorrente.
E por fim, lhes apresento a revelação final, pela voz do Anjo da Palavra:
[...] vivemos um fim de um ciclo apodrecido e gasto [...] a parte mais grosseira da mentalidade humana suplanta a qualidade [...] haja vista aqueles que, para melhor poderem governar, expulsam de seu País e, portanto, de junto de si, os poucos capazes de ofuscar o falso brilho de suas apagadíssimas personalidades.
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