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NASA, ESA, M. Robberto
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Há cerca de 4 bilhões e 600 milhões de anos, uma área densa de uma gigantesca nebulosa começou a colapsar gravitacionalmente em torno de um ponto central. Formada principalmente por hidrogênio e hélio, ela também continha elementos mais pesados, deixados ali por supernovas ocorridas em um passado distante. A conservação do momento angular formou um disco cujo centro era a protoestrela que um dia se tornaria o sol, e o calor vindo dela começou a empurrar os elementos mais leves para longe, deixando apenas os pesados na área interna.
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NASA/SOFIA/Lynette Cook
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O sistema solar era caótico, calcula-se que pelo menos duzentos proto-planetas do tamanho de Marte se formaram naquela época... E como só sobraram quatro planetas rochosos, é fácil deduzir que a maioria ou foi ejetada para longe, ou caiu no Sol, ou se chocou entre si, formando Mercúrio, Vênus, Terra, Marte... E os inúmeros asteroides que nos acompanham em nossa jornada orbitando o Sol.
A Terra teve, portanto, uma infância violentíssima, a Lua é resultado de um destes choques, e julgando pela quantidade de crateras que tem, percebe-se que nosso planeta também foi intensamente bombardeado enquanto ainda “engatinhava”.
O tempo, porém, passou, e o sistema solar foi se tornando pacato. Choques entre seus componentes, pelo menos os maiores, ficaram cada vez mais raros... Mas não pararam de acontecer. O último deles aqui na Terra, ocorrido há 65 milhões de anos, dizimou 75 por cento das espécies, inclusive o grupo mais amado pelas crianças, os dinossauros não-avianos.
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iStock
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O impacto do asteroide de dez quilômetros de diâmetro liberou a energia de 5 bilhões de bombas atômicas iguais à de Hiroshima, disparando erupções por todo o planeta. As cinzas do impacto, dos vulcões e dos incêndios florestais cobriram nossa atmosfera por pelo menos 15 anos, impedindo a fotossíntese. Os mamíferos só sobreviveram porque eram pequenos, podiam se abrigar facilmente e precisavam de pouquíssimo alimento... Mas será que nós, talvez os mamíferos mais bem sucedidos da atualidade, muito maiores e carentes de energia do que nossos diminutos antepassados, com todo o nosso conhecimento e tecnologia, conseguiríamos sobreviver a um impacto semelhante... Ou uma catástrofe como esta é tão absurdamente grandiosa que seria impossível evitar um destino parecido com o dos dinossauros?
A resposta depende de alguns fatores, dos quais o principal é se saberíamos antecipadamente ou não do impacto. Neste momento temos olhos excelentes monitorando os objetos capazes de colidir com a Terra... Mas alguns casos extremos, como asteroides vindos da direção do Sol ou de fora do sistema solar, seriam difíceis de detectar. O que aconteceria se um deles nos pegasse de surpresa, caindo no mesmo ponto que seu irmão antigo, a Península do Yucatán?
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Mark Garlick, Science Photo Library/Alamy
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Obviamente, quem estivesse no México, no sul dos Estados Unidos e na América Central seriam vaporizados. Além do calor, o impacto causaria uma onda de choque que mataria todos os seres vivos num raio de 1.500 quilômetros da cratera. Os abalos sísmicos causados pelo rompimento da crosta derrubariam prédios por todo o globo... E as cidades costeiras seriam varridas por tsunamis que chegariam a até 300 metros de altura.
E isto seria apenas o começo.
E o que aconteceria, então, na fatídica data?
35 trilhões de toneladas de rochas, a fatia da crosta terrestre jogada para o espaço com o impacto, voltariam a entrar na atmosfera e tornariam o planeta um inferno. O calor e os terremotos, pelo menos, indicariam aos habitantes do outro lado do mundo o que aconteceu...
Dando tempo para os mais sortudos procurarem abrigo.
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YouTube/Atlas Survival Shelters/Reprodução
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Existem milhões de abrigos nucleares espalhados pela Terra, alguns capazes de acolher milhares de pessoas... Mas mesmo os menos afortunados teriam alguma chance. Nossas maiores cidades possuem redes de túneis capazes de receber parte de sua população em um caso como este. Viver dentro de um metrô não seria bom nem agradável... As pessoas se matariam por um pouco de água ou comida, e vai saber que tipo de alimento estaria disponível... Mas certamente uma parte da população sobreviveria aos primeiros efeitos do impacto, e seria capaz de voltar à superfície quando as coisas se acalmassem para encarar uma nova vida, muito menos confortável do que a que temos agora.
Porque a queda do asteroide traria, também, efeitos a longo prazo.
Demoraria décadas para toda a poeira e fuligem descer da atmosfera, o que causaria uma pequena era do gelo e acabaria com as plantações, limitando tremendamente nossas fontes de alimento. Nossos antepassados distantes sobreviveram graças ao seu tamanho diminuto, lembra? Isto não aconteceu à toa...
Mas é bastante improvável que toda a humanidade perecesse.
Voltaríamos à idade da pedra...
Mas começaríamos uma segunda aurora. Talvez, em alguns milênios, reconstruiríamos a infraestrutura confortável que temos hoje.
Um impacto como este, porém, é improvável atualmente. Não só o espaço próximo da órbita da Terra está muito mais “limpo” do que há 65 milhões de anos, como agora temos diversos olhos voltados para o céu. Nós conhecemos intimamente a órbita de objetos com até mesmo poucos metros de diâmetro, seria praticamente impossível deixar um asteroide de dez quilômetros passar desapercebido.
E o mais importante...
AGORA TEMOS COMO NOS DEFENDER!
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Divulgação/NASA
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Você deve se lembrar da missão DART, que ocorreu em setembro de 2022. Nela uma espaçonave pouco menor do que um carro pequeno colidiu com um asteroide também diminuto, Dimorphos, que orbita outro maior, Dydimos. O objetivo da missão era encurtar sua órbita em até 73 segundos.
Ela diminuiu em 33 MINUTOS.
Isto aconteceu porque o asteroide atingido é basicamente uma pilha de pedras unidas gravitacionalmente, ou seja, ele não tinha a rigidez de uma única rocha. Por conta disso, a colisão não criou uma cratera, mas deformou o asteroide. Parte das pedras que o formavam foi atirada para longe pelo impacto em si, mas outra parte foi ejetada pelo calor criado pela batida. O asteroide se transformou, temporariamente, em um cometa, e a emissão de tanta matéria foi o que o fez perder muito mais velocidade do que o previsto.
Ela agiu como o motor de um foguete, que atira gases aquecidos para trás para se mover para a frente.
No caso de Dimorphos, que sofreu uma colisão frontal enquanto caminhava em sua órbita, o “efeito foguete” o empurrou no sentido oposto, desacelerando sua velocidade orbital.
Isto quer dizer que já temos a tecnologia necessária para desviar asteroides como ele, e ela é bem mais eficiente do que imaginávamos. Por sorte praticamente todos os asteroides que se aproximam da Terra atualmente são parecidos com o Dimorphos, então estamos razoavelmente seguros. Basta detectar a possível ameaça a tempo de lançar uma nave, quanto mais cedo, melhor.
Não podemos descartar, porém, que algo maior venha a nosso encontro...
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Autor desconhecido, (provavelmente IA)
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E comparado com o Dimorphos, o asteroide que matou os dinossauros era muito, muito maior. Se o detectássemos décadas antes do impacto, seria possível desviá-lo com a mesma técnica empregada pela sonda DART, e algo deste tamanho certamente seria visível décadas antes...
Mas e se não tivéssemos tanto tempo assim?
Uma das ideias seria explodir uma bomba muito poderosa AO LADO do asteroide. Isto não o destruiria, afinal se ele se partisse, os pedaços resultantes seriam tão mortais quanto o asteroide inteiro... Mas uma explosão próxima a ele poderia empurrá-lo para uma trajetória segura.
Outra ideia é usar lasers para agirem como o impacto da DART no Dimorphos: aquecer o interior do asteroide e o fazer ejetar matéria, o que o empurraria para o lado oposto, como se usássemos foguetes para manobrá-lo.
Há ainda uma terceira ideia, amarrar velas solares no asteroide e usar o fraco mas constante vento solar para desacelerá-lo... São conceitos mais complexos do que simplesmente chocar uma sonda com o asteroide, mas há mentes brilhantes trabalhando neles, e aparentemente temos tempo para testar tudo isto antes da próxima colisão.
E mesmo se não tivermos... Talvez ainda haja um “plano B”.
Neste momento tanto a colonização da Lua quanto a de Marte estão sendo colocadas em prática, até o fim da década que vem é provável que já tenhamos seres humanos morando tanto no planeta vermelho quanto em nosso satélite natural. Não serão muitas pessoas, e talvez elas não consigam voltar para repopular o planeta, caso uma colisão como a dos dinossauros ocorra enquanto elas estiverem por lá...
Mas elas certamente seriam testemunhas do espetáculo mais grandioso e trágico que a humanidade já viveu!
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