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Se o Universo está se expandindo, por que meu quarto não aumenta de tamanho?
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Escrito por
Juliano Righetto
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Durante muitos e muitos séculos, a humanidade julgou ser o centro do Universo. Achávamos que Sol, Lua, planetas e estrelas giravam em torno de nós e isto, obviamente, nos colocava no lugar de maior destaque possível. Não dá para culpar nossos ancestrais por esta concepção.
Parece que tudo gira em torno de nós.
Aos poucos nossa miopia foi sendo curada num processo iniciado com a invenção do telescópio, que confirmou o modelo heliocêntrico e colocou o Sol no centro do Universo.
O astro-rei, porém, não brilhou em seu novo trono por muito tempo.
Consecutivas descobertas demonstraram que nossa estrela não passava disso...
Apenas mais uma das centenas de bilhões de estrelas que compõem a Via Láctea.
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Edwin Powell Hubble, Johan Hagemeyer (1931), colorida com IA
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O ego da humanidade mal teve tempo de se recuperar quando este astrônomo enxerido chamado Edwin Hubble resolveu medir a distância da Terra à nebulosa de Andrômeda...
E descobriu que Andrômeda era outra galáxia!
De uma entre centenas de bilhões de estrelas, o Sol passou a ser parte de uma família com sextilhões de membros.
E esta descoberta não foi a mais importante do homem que deu nome ao famoso telescópio espacial. Ao analisar o espectro das galáxias, Hubble notou que a luz de quase todas elas apresentava um desvio para o vermelho. Assim como o som de um trem é distorcido por seu movimento, a luz das galáxias também se distorce, ficando azulada se vier em nossa direção e avermelhada ao se afastar.
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Percebemos, então, que as galáxias estão se distanciando de nós...
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E que quanto mais distantes, mais rapidamente elas se afastam.
Levando isto em consideração, foi fácil deduzir que, em algum ponto do passado, todas as galáxias devem ter estado no mesmo lugar, ou seja, a descoberta do Hubble nos levou a entender que o Universo teve um começo, há 13 bilhões e 800 milhões de anos, e que ele vem se expandindo desde então.
E daí surge uma série de dúvidas...
Meu corpo está “inflando” junto com o espaço?
Meu quarto está ficando maior, posso encomendar aquela cama king-size que sempre desejei?
Será que estamos aumentando de tamanho, mas como tudo que está em volta de nós também está, não percebemos a diferença?
Será que os átomos de hidrogênio presentes nos nossos corpos são maiores hoje do que quando se formaram, 380 mil anos após o Big Bang?
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Wilkinson Microwave Anisotropy Probe - A Radiação Cosmológica de Fundo, o “flash” que mostra o momento em que todos os átomos do Universo se formaram.
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Não, não são. Os átomos sempre tiveram o mesmo tamanho e sempre terão. Por consequência, galáxias, estrelas, planetas e pessoas também mantém o seu tamanho, mesmo com a expansão do Universo. A única coisa que aumenta é o espaço em si.
Difícil de entender?
Nós temos a ilusão de que vivemos em um Universo com três dimensões porque somos seres aparentemente tridimensionais que moramos em um planeta aparentemente tridimensional. Tudo dentro da nossa realidade tem altura, largura e profundidade.
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Mas na verdade nós vivemos em um mundo QUADRIDIMENSIONAL, e a quarta dimensão é o tempo. É impossível visualizar o tempo como dimensão física, porque nossos cérebros foram projetados para entender apenas três dimensões, o tempo sempre foi algo separado...
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Mas dá para se ter uma ideia da quarta dimensão simulando um universo de DUAS dimensões. Assim ao adicionar o tempo, teremos um universo com três dimensões, e três dimensões nossos cérebros conseguem entender, certo?
Imagine, então, que nosso universo bidimensional é a superfície de uma bexiga, e as galáxias, pontinhos pintados nesta bexiga. As galáxias, os pontinhos, têm largura e profundidade... Mas não altura, assim como os seres que vivem nelas, para eles só existem duas dimensões.
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Avinash Kumar, Unsplash
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Acontece que esta bexiga, porém... Está se inflando.
E por causa disso, os pontinhos pintados nela, as galáxias, estão todos afastando uns dos outros. Galáxias mais distantes, inclusive, se afastariam mais rapidamente do que as próximas...
EXATAMENTE como nós vemos no Universo onde moramos.
Deu para entender como adicionar uma dimensão explica muita coisa?
Mas... Espera aí!
Isso não quer dizer que o espaço que meu quarto ocupa também está crescendo? Ele não deveria se expandir junto com o Universo?
Sim, o espaço que o seu quarto ocupa está crescendo... Só que, se depender do ritmo em que ele aumenta, você vai demorar um pouco para conseguir colocar aquela cama king-size nele.
A melhor estimativa da taxa de crescimento do Universo que nós já calculamos diz que ele aumenta 73 quilômetros por segundo por megaparsec.
Um megaparsec equivale a, aproximadamente, trinta sextilhões de metros, é este número aqui:
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30.000.000.000.000.000.000.000
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Se o seu quarto tiver três metros de comprimento, isto equivale a um-dez-sextilhonésimos de megaparsec...
O que daria uma taxa de crescimento de um-dez-sextilhonésimos de setenta e três quilômetros por segundo...
Ou seja, seu quarto cresceria mais ou menos um milímetro a cada cinco milhões de anos. Algo que seria imperceptível mesmo se vivêssemos por tanto tempo.
E eu devo enfatizar que é o crescimento DO ESPAÇO QUE ELE OCUPA, não do quarto em si. Porque as forças nucleares que mantém os átomos do seu quarto unidos e a gravidade são muito, muito mais fortes do que a expansão do Universo, ou seja, mesmo com o aumento do espaço em volta dele, seu quarto não vai crescer nem depois de milhões de anos.
Esta diferença absurda de forças explica por que as galáxias não se despedaçam com o crescimento do Universo. A gravidade que mantém as estrelas unidas é muito mais forte do que a expansão.
Mas quando falamos em distâncias intergalácticas...
Aí, sim, a taxa de crescimento do Universo se torna predominante sobre a gravidade existente entre elas, o que faz com que as galáxias se afastem.
Portanto, apesar do espaço crescer constantemente dentro de nossos quartos, a única maneira de dormir em uma cama maior é mudar de cômodo – ou de casa.
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Há um pequeno consolo, porém, que esta história de Universo em expansão nos traz.
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Como o crescimento aumenta com a distância, existe um ponto em que a velocidade de afastamento das galáxias ultrapassa a velocidade da luz...
O que faz as galáxias mais distantes desaparecerem do nosso campo de visão.
Ou seja, seu quarto cresceria mais ou menos um milímetro a cada cinco milhões de anos. Algo que seria imperceptível mesmo se vivêssemos por tanto tempo.
Isto significa que todo o Universo visível está dentro de uma bolha de 46 bilhões de anos-luz de raio – a distância onde as galáxias desaparecem – cujo centro é...
Você!
Quem diria, hein, Aristóteles?
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Aristóteles, Wikimidia Commons (Editado com IA)
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Você defendendo o geocentrismo...
E o Universo, no fim das contas, é “eucêntrico”!
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