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Hoje é um Lado B mais curto, mas com uma provocação bem importante: até que ponto dá para aceitar o sistema de copyright da internet do jeito que ele está? Hoje é dia de sextar falando um pouco mais sério. Pega um refri ou abre uma cerveja, e vem comigo.
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Na última semana, o músico e criador de conteúdo Davide Biale (Davie504) protagonizou um dos casos mais absurdos de reivindicação de direitos autorais da história da internet.
O Davie foi até uma câmara anecoica (aquele ambiente projetado para eliminar quase 100% das reflexões sonoras) e fez uma piada: disse que tocaria no baixo o clássico "The Sound of Silence", de Simon & Garfunkel. A piada consistia em deixar esse trecho do vídeo em completo e absoluto silêncio.
A música não foi tocada. Não havia áudio. Mesmo assim, o sistema do YouTube aplicou uma reivindicação. Pela primeira vez, o Content ID deu copyright no silêncio. Não é a primeira vez que o sistema de identificações do YouTube se mostra ser extremamente falho, desigual e ineficaz.
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O Cálculo Desproporcional
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Inicialmente pode parecer engraçado de tão bizarro, mas vamos pensar além. Se você produz um vídeo de 10 minutos e usa 1 minuto de uma música protegida, em tese 10% do vídeo utiliza conteúdo de terceiros, certo? Mas não é assim que a conta fecha na prática: 100% da receita do vídeo passa a pertencer ao detentor da música, por menor que tenha sido o trecho utilizado.
Existe o argumento de que esses 10% de um vídeo poderiam ser o único motivo do sucesso do vídeo, sendo assim o dono da obra tem direito de receber integralmente o valor de tudo. É aqui uma das falhas do Content ID. Como o algoritmo mensura isso? E o que garante que não é exatamente o contrário?
No caso do Davie, nem a música existia. A reivindicação afeta na hora a monetização, a entrega e o alcance do vídeo, lembrando que criar conteúdo é o ganha-pão do criador. O próprio Davie usou o episódio para escancarar o problema desse sistema automatizado.
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E qual o perigo dessa automação sem o menor contexto?
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Nos últimos anos, estamos vivendo os impactos de IAs e automações mal implementadas pelas Big Techs. Content ID sendo uma dessas implementações terríveis.
O Davie tem a sorte de ser gigante e ter público suficiente para reverter a situação. Mas e quando o Content ID identifica erroneamente um canal pequeno ou em pleno crescimento? Quantos criadores são prejudicados sem ter a quem recorrer?
Erros sempre aconteceram. A diferença é que, quando o julgamento era feito por humanos, ainda havia espaço para contexto e solução. Quando é feito por robôs, quem está na ponta sofre sem nenhuma luz de alternativa.
Para finalizar, é bem preocupante o caminho de uma "referência" ou uma "citação" ser identificada como cópia. É preocupante o silêncio ser registrado como infração. Eu como músico, fico feliz em ter o direito das minhas músicas muito bem preservado, mas quando o contexto é totalmente deixado de lado ou quando o sistema "me protege" de alguém que nem sequer usou minha obra, isso não é proteção, é só um ataque gratuito.
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Tinashe
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