Lado B

As músicas mais assustadoras do mundo

Edição 008 · · Lado B


Autor

Lucca de Paiva

Lucca de Paiva

Fundador e presidente da Rabizo. Multi instrumentista, produtor musical e compositor, também é criador de grandes eventos no Brasil de música Pop, Rock e Eletrônica. Além da música, Lucca também é especialista em produto, palestrante e mixólogo.

Lado B by Lucca de Paiva

Por que não teve Lado B na semana passada? Calma! Não vamos encerrar esta coluna, mas ela vai passar a ser quinzenal. Vamos dedicar um espaço para explicar isso lá no final. Falando de coisa boa: SEXTOU! Hoje é dia de Halloween e espetáculos em palcos.

by Lucca Paiva
A Fusão da Música e do Espetáculo

Anteontem foi o primeiro show do BTS no Brasil. Vendo alguns amigos meus presentes, fiquei pensando em como é incrível a forma como a música muitas vezes carrega, no próprio palco, o espetáculo junto com o som.

Palcos megalomaníacos, figurinos, personagens, cenários monumentais, telões e coreografias chamam logo a atenção. Mas isso não é de agora! Música e teatro já andam juntos há MILHARES de anos. Na Grécia Antiga (século V a.C.), por exemplo, as apresentações teatrais já combinavam atuação e música, com direito a figurinos, máscaras e cenários pintados nos festivais em homenagem a Dionísio.

Para quem diz que "aquilo era teatro com música, não exatamente um artista musical", podemos olhar ainda para o passado nos séculos XVII e XIX. A Ópera desenvolveu uma verdadeira cultura de grandes produções, com orquestras, cantores, figurinos luxuosos, cenários mutáveis e efeitos cênicos. Depois, os musicais, especialmente os da Broadway, consolidaram a ideia de integrar música e narrativa em uma única experiência.

A história dos grandes palcos passa por vários momentos marcantes: quem não se lembra de Alice Cooper com o teatro de horror, dos palcos monumentais de Pink Floyd, Rammstein, Beyoncé e Taylor Swift, ou dos shows narrativos de Michael Jackson e Madonna? Hoje há quem diga que é quase impossível música e espetáculo andarem separados.

Mas a dúvida que fica é justamente esta: a música perde espaço para o teatro ou um não interfere no outro? Cada vez mais deixamos de valorizar um simples cantor que sobe ao palco sozinho e sem firulas. Ou até gostamos de ouvir, mas jamais pagaríamos um ingresso caro para ver algo que, pelo mesmo preço, poderia entregar múltiplas experiências visuais e sensoriais juntas. O que você acha?

Lançamentos da Semana
Press Play, LISA
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LISA
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Perfecth, Queens of the Stone Age
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Muse, John Legend
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Be Not Afraid, Polyphia
Be Not Afraid
Polyphia
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As músicas mais assustadoras do mundo

É Halloween amanhã! É abóbora, é filme de terror, é fantasia feita de EVA, é vestir seu gato preto de morcego... Opa, é música também, não?

Muitas vezes a música é feita, da mesma forma que um filme de terror, com a intenção de gerar desconforto e causar medo. Ozzy Osbourne disse em várias entrevistas que o Black Sabbath surgiu no pensamento de fazer "música de terror" desde o começo. Vários artistas e bandas, de vários gêneros, mantêm esse mesmo objetivo hoje em dia, como Portal (Death Metal), The Caretaker (Eletrônica), Ghostemane (Trap), etc.

Ghostemane, Ghost e Melanie Martinez

Mas e para você? Quais são as músicas mais assustadoras ou desconfortáveis que existem? Já fizeram essa pergunta antes, e o Pandora's Music Genome montou um top 10. Se liga:

"The Becoming" Nine Inch Nails
"The Happening" Pixies
"Dark Entries" Bauhaus
"Transmission" Joy Division
"Contractor" Lamb of God
"Ænima" Tool
"Heart-Shaped Box" Nirvana
"Bottled Up Inside" Korn
"Thinking of You" A Perfect Circle
"Eternal Refuge" Whitechapel

Eu não poderia concordar menos com essa lista. É óbvio que o conceito de "assustador" é extremamente subjetivo, e a própria equipe da Pandora sabe disso. Eles usaram critérios distintos e analisaram diferentes experiências humanas para chegar a essa lista.

Para mim, o terror não está no "esquisito" (afinal, eu escuto algumas estranhezas que fariam a maioria de vocês me chamar de louco). O que realmente assusta, às vezes, são as histórias: não assustadoras de um modo superficial, mas pela densidade e por saber que aquilo é real. Se fosse criar um ranking próprio, eu começaria talvez com essas músicas aqui:

Sofia Isella
"Us and Pigs" e "Everybody Supports Women"
SOFIA ISELLA
Sofia Isella é uma cantora excepcional que traz um som sombrio e muito tenso sem deixar de ser envolvente. Nas músicas citadas, ela critica a desumanização das mulheres, a violência sexual e, principalmente, a normalização desses comportamentos.
"Ptolomaea" e "Tempest"
ETHEL CAIN
Ethel Cain constrói um horror bem diferente. As músicas fazem você sentir que não está em segurança. A construção sonora é sufocante, mas o que pega mesmo é a vulnerabilidade da personagem diante de alguém em quem não pode confiar.
Ethel Cain
Melanie Martinez
"Sippy Cup", "The Vatican" e "Dollhouse"
Melanie Martinez
Desde o início, Melanie Martinez usa a música para criticar temas que nem sempre são ditos sem filtro. Os assuntos variam entre abuso, trauma, bullying, padrões de beleza tóxicos e distúrbios, às vezes mascarados por melodias "infantis".
"Wierszalin"
Patriarkh
Patriarkh (projeto do ex-vocalista do Batushka) criou o álbum Prophet Ilja, que conta a história de Eliasz Klimowicz. O álbum inteiro mistura o Death Metal com o canto gregoriano clássico, partindo da premissa provocativa de que os rituais religiosos podiam ser mais macabros do que o próprio Rock.
Patriarkh

Deixei de fora vários nomes, de todos os gêneros e principalmente do Metal que exploram bem o ramo de músicas assustadoras (como IC3PEAK, Aphex Twin, Lingua Ignota, clipping., Chelsea Wolfe, Cenobia, Akhlys, e muito mais).

Por que viramos quinzenal?

Bom, sendo bem transparente: eu (Lucca) lidero as operações e a gestão executiva da Rabizo. Tenho sob minha responsabilidade a coordenação de diversas áreas, desde a estrutura de produto e colunas digitais até a área de growth (marketing e vendas) e a gestão administrativa do ecossistema.

Não é nada legal ter uma proposta tão interessante como a Lado B e não conseguir dedicar o tempo que ela realmente merece. Se você comparar esta edição (que tive mais tempo para lapidar) com as duas anteriores, vai notar uma boa diferença na profundidade.

Não é uma decisão eterna. A Lado B pode, com certeza, voltar a ser semanal em breve (ou até ter mais edições por semana), mas tudo depende do desenvolvimento e do crescimento da Rabizo como um todo. Por enquanto, seguiremos com envio quinzenal.

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A gente se vê semana que vem!