|
| |
|
O pai do cinema brasileiro de terror!
|
| |
|
Você provavelmente lembra do Zé do Caixão, né? Um homem de capa preta, cartola na cabeça e unhas cumpridas que aparecia com frequência na TV, seja rogando pragas na madrugada, seja fazendo pontas em programas de humor ou comerciais.
Para quem cresceu nos anos 80, 90 e 2000, ele parecia quase uma caricatura pop, uma figura folclórica e até meio cômica. Mas por trás do personagem caricato da TV existia um gênio obcecado que mudou a história do cinema brasileiro!
Neste sábado (31) de Dia das Bruxas, enquanto o mundo consome o terror de Hollywood, vale a pena conhecer um pouco a história de José Mojica Marins:
|
| |
|
| |
|
E nasce o terror nacional!
|
| |
|
Em 1964, numa época em que o cinema brasileiro só fazia comédia e drama, ele lançou o filme À Meia-Noite Levarei Sua Alma, o primeiro terror feito no Brasil.
Antes de José Mojica Marins, o gênero não era consolidado no Brasil. Ele foi o pioneiro a provar que era possível fazer cinema de terror com sotaque, estética e identidade brasileiras, sem precisar copiar o modelo norte-americano.
O Mojica era filho de espanhóis e cresceu praticamente dentro de uma sala de cinema em São Paulo, onde o pai trabalhava. Ele aprendeu a fazer filmes totalmente sozinho, improvisava equipamento, inventava truques de efeito especial com o que tinha e virou ator dos próprios filmes porque não tinha como contratar ninguém.
|
| |
|
| |
|
Sua arte também foi um ato de coragem e resistência. Durante a ditadura militar, enfrentou a censura que via em suas obras uma ameaça à "moral e aos bons costumes". Teve filmes banidos, cortados e perseguidos, mas nunca deixou de filmar.
Enquanto o Brasil muitas vezes o reduzia a uma caricatura exótica de programas de TV, o mundo reconhecia seu valor. Sob o nome de Coffin Joe, Mojica virou cult na Europa e nos Estados Unidos, sendo aclamado internacionalmente ao lado de gigantes do horror mundial como Dario Argento, George Romero e John Carpenter.
|
| |
|
| |
|
É verdade que, quando olhamos para a nossa produção audiovisual no geral, o terror ainda não tem o mesmo espaço comercial ou a mesma representatividade que outros gêneros no país.
No entanto, o pouco espaço e a força que o gênero conquistou por aqui só existem porque o Zé do Caixão abriu essa porta, mostrando que o Brasil também sabe fazer horror de altíssima qualidade.
Por isso, neste Dia das Bruxas, antes de buscar o terror de fora, vale olhar para a nossa própria história. O Zé do Caixão peitou a censura e a falta de verba para garantir que o horror brasileiro existisse.
Tenha um excelente (e assustador) fim de semana!
|
| |
|
| |
|