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O que Jurassic Park tem a ver com o sucesso mundial da cultura coreana?
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por Karen Meira
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A partir da semana que vem, a coluna Meleka Pop passará a ser enviada às Sextas-Feiras, 12h. Você não precisa fazer nada! Basta continuar acompanhando, agora em horário de almoço!
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Em 1993, um filme sobre dinossauros provocou uma reflexão inesperada do outro lado do mundo. O sucesso de Jurassic Park, dirigido por Steven Spielberg, chamou a atenção do governo da Coreia do Sul.
Em 1994, um relatório apresentado ao governo sul-coreano comparou a receita de Jurassic Park ao valor obtido com a exportação de 1,5 milhão de carros da Hyundai. Na época, a indústria automobilística era um dos grandes símbolos do crescimento econômico do país. Por isso, a comparação chamou tanta atenção: um único filme de Hollywood podia gerar uma receita equivalente à exportação de uma quantidade enorme de automóveis.
A pergunta que surgiu foi:
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E se a cultura também pudesse se transformar em uma grande fonte de riqueza para o país?
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Essa percepção ajudou a mudar a forma como o governo sul-coreano enxergava o setor. A cultura deixou de ser vista apenas como entretenimento e passou a ser considerada uma oportunidade de desenvolvimento econômico.
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Quando a cultura entrou na estratégia do país
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A virada definitiva veio poucos anos depois, em 1997, quando a Crise Financeira Asiática atingiu o país. Grandes empresas quebraram, o desemprego disparou e a Coreia do Sul precisou recorrer a um empréstimo do Fundo Monetário Internacional (FMI) para não falir.
Foi nesse momento de desespero que o Estado tomou uma decisão: em vez de cortar o orçamento da arte para economizar, eles decidiram investir nas indústrias criativas como saída para a crise.
O governo criou uma divisão dedicada exclusivamente às indústrias culturais dentro do Ministério da Cultura, aprovou leis de incentivo ao audiovisual, facilitou o financiamento privado e começou a subsidiar a exportação de séries, filmes e músicas.
É importante destacar um ponto de ouro aqui: o governo não escolhia quais artistas faria sucesso. O papel do Estado foi construir a infraestrutura de estúdios, profissionalizar o mercado e abrir portas no exterior para que a iniciativa privada e os criadores fizessem o resto.
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Da onda coreana ao fenômeno mundial
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Essa estratégia deu origem à Hallyu (a Onda Coreana). Mas os resultados não surgiram da noite para o dia. Foram décadas de trabalho silencioso até o mundo finalmente prestar atenção:
O clipe de Gangnam Style, do PSY, explodiu na internet e se tornou o primeiro vídeo da história a bater 1 bilhão de visualizações no YouTube. Pessoas no planeta inteiro estavam fazendo a coreografia sem entender uma palavra em coreano. Ali ficou provado que a barreira do idioma podia ser quebrada.
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Nos anos seguintes, BTS e BLACKPINK chegaram ao topo das paradas ocidentais. Em 2020, Parasita fez história ao se tornar o primeiro filme em língua não inglesa a vencer o Oscar de Melhor Filme. Pouco depois, Round 6 virou a série mais assistida da história da Netflix.
Os K-dramas, como são conhecidas as produções televisivas sul-coreanas, conquistaram espaço nas plataformas de streaming e ganharam fãs em diferentes países.
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Como a cultura movimenta outros setores da economia
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A Coreia do Sul entendeu que a cultura funciona como uma vitrine para todos os outros setores da economia através de um ciclo involuntário:
Você começa assistindo a um K-drama despretensioso. Logo depois, vai buscar a trilha sonora no Spotify. Repara nos pratos que os personagens comem e sente vontade de conhecer a gastronomia. Se interessa pelo idioma e até se vê planejando uma viagem para a Coreia.
Em 2024, as exportações de conteúdo cultural da Coreia do Sul, incluindo jogos, música, audiovisual e publicações, ultrapassaram US$ 14 bilhões, um crescimento de 5,5% em relação ao ano anterior.
Os números mostram a dimensão desse mercado: os jogos responderam por US$ 8,5 bilhões em exportações, cerca de 60% do total. A música movimentou US$ 1,8 bilhão, enquanto o setor de radiodifusão e audiovisual alcançou aproximadamente US$ 1,26 bilhão.
Além disso, a indústria de conteúdo sul-coreana movimentou 157,4 trilhões de wons em receitas em 2024 e empregou aproximadamente 688 mil pessoas.
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E se o Brasil fizesse o mesmo?
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Olhar para essa trajetória nos obriga a fazer uma reflexão provocativa: já imaginou o potencial do Brasil se tivéssemos um projeto de Estado parecido?
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A gente teve uma prévia desse interesse global com o movimento do Brasilcore. A gringa surtou usando as cores da nossa bandeira, a camisa da seleção virou peça de alta moda na Europa, o funk domina pistas de Paris a Nova York, e a nossa estética tropical e a bossa nova continuam sendo sinônimo de sofisticação no mundo todo.
O interesse pela nossa cultura já existe de forma orgânica. A diferença é que no Brasil isso costuma acontecer por acaso, como uma onda passageira. Na Coreia do Sul, esse interesse foi transformado em uma política pública de longo prazo que gera empregos, riqueza e soberania nacional.
Cultura não é um luxo que um país consome quando sobra dinheiro. É a ferramenta mais poderosa para colocar um país no topo do mundo.
E para você? Qual foi o ponto de entrada que te fez notar a cultura coreana?
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