Primeiro Take

Coyote vs. Acme, Harry Potter e Lanternas.

Edição 001 · · Primeiro Take


Autor

Mateus Lobo

Mateus Lobo

Criador e autor do CinefiLobo, formado em Cinema, apaixonado pelo audiovisual, editor de vídeo e crítico. Na Rabizo, lidera a Primeiro Take e é especialista em todo mundo cinematográfico, desde o lúdico até o mais técnico

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Na mitologia grega, Sísifo foi condenado pelos deuses a empurrar eternamente uma pedra até o topo de uma montanha, apenas para vê-la rolar de volta antes de concluir sua tarefa. O Coiote vive seu próprio Mito de Sísifo : persegue o Papa-Léguas, elabora planos mirabolantes, explode, despenca e recomeça. Hoje temos a crítica do filme Coyote vs. Acme , sugestão de série e muito mais.
Provou que nem a Warner enterra um Looney Tunes
Euphoria
NOTA DO AUTOR
Nota do Autor
Com quase 100 anos de história, os Looney Tunes são parte fundamental da cultura pop. Os personagens nasceram nos curtas exibidos nos cinemas a partir dos anos 1930 e atravessaram as décadas transformando violência cartunesca, absurdo e timing cômico em arte. Depois, ganharam longas que misturavam animação e atores reais, como Space Jam (1996), Looney Tunes: De Volta à Ação (2003) e Space Jam: Um Novo Legado (2021).
Willie Coyote sempre roubava as cenas nos filmes anteriores, mas ele finalmente ganha o protagonismo em Coyote vs. Acme . Já retratada como vilã em De Volta à Ação, a ACME fabrica praticamente tudo no universo dos Tunes: os foguetes, as armadilhas e todas as engenhocas usadas pelos personagens. Cansado de sofrer acidentes por causa de produtos defeituosos, o Coyote contrata um advogado fracassado para processar a empresa.
O filme deveria ter estreado em 2023, mas a Warner não acreditou em seu potencial nas bilheterias e decidiu que seria financeiramente mais vantajoso apagá-lo em troca de benefícios fiscais. Durante 3 anos, Coyote vs. Acme permaneceu trancado em um cofre , até que fãs, artistas e profissionais da indústria se revoltaram e transformaram seu cancelamento em um dos casos mais absurdos da Hollywood recente. A pressão funcionou: a Ketchup Entertainment comprou os direitos e finalmente o libertou.
É aqui que tudo ganha uma força quase catártica: um filme sobre um personagem pequeno e desacreditado enfrentando uma corporação gigantesca que tenta silenciá-lo por dinheiro quase foi, ele própria, apagado por uma corporação gigantesca por causa de dinheiro. A Warner tentou fazer com o filme exatamente o que a ACME faz com o Coyote . É uma metalinguagem involuntária tão perfeita que eleva e ressignifica o longa inteiro.
Fofo, divertido e surpreendentemente emotivo, o longa entende que os Looney Tunes funcionam melhor quando o absurdo possui regras próprias. As perseguições recuperam o ritmo e a criatividade dos curtas clássicos, enquanto a mistura de animação 2D com live-action é usada de maneira inventiva. Há MUITAS referências e easter eggs para quem conhece as desventuras do Papa-Léguas.
Mais filosófico do que sua premissa sugere, Coyote vs. Acme fala sobre fracasso, perseverança, dignidade e o direito de enfrentar estruturas muito maiores do que nós. Também aborda exploração corporativa, consumismo e até experimentos em animais, mas sem extrapolar, interromper a comédia ou transformar tudo em sermão. A crítica especializada destacou justamente esse equilíbrio entre o humor clássico, a criatividade visual, a emoção e assuntos contemporâneos. Valeu a espera e TODO o esforço necessário para salvá-lo. Se fizer sucesso, que venham mais filmes dos Looney Tunes!
Mateus Lobo Mateus Lobo
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CURTAS
O hype dos voos na nova série de Harry Potter
Muitos fãs entraram em êxtase com as cenas de voo do novo trailer de Harry Potter (nós te perdoamos se você não estiver hypado pelos problemas com a JK Rowlling). Em uma entrevista à Esquire, Paapa Essiedu (Prof. Snape) revelou que construíram um estádio para gravar essas cenas e que ele ficou sentado em uma vassoura presa por um braço mecânico gigante. Depois, efeitos visuais completam o estádio, o céu e os movimentos impossíveis. O ator de Snape, inclusive contou que chegou a ficar pendurado cerca de 3 metros acima do chão durante uma gravação quando caiu da vassoura.
A Bruxa
Uma luz nova que pode salvar o universo da DC?
 
Se você é fã de super heróis, ficção cientifica ou gosta de mistério policial? Talvez valha a pena colocar Lanternas no seu radar. Diferente do padrão da DC, a série aposta em uma abordagem mais madura e explorando o íntimo dos personagens além dos trajes.
Lanternas conta a história de dois lanternas verdes experientes que precisam lidar com uma ameaça. O grande atrativo é justamente a combinação da investigação policial com o super herói sem ser usado como trama fácil para solução de todos os problemas.
É a DC apostando em uma nova fase audiovisual e tentando desvincular dos últimos fracassos de roteiro e do cinema. Nossa recomendação? Dê uma chance. A ideia aqui é tirar da cabeça a ideia tosca de Lanterna Verde que a DC implantou na cabeça de todos nós nos últimos anos. Ah, e essa série é para maiores de 18 anos, fechou? Se você for menor, aproveite o Coyote vs. Acme que acabamos de falar.
👀
Cenas dos Próximos Capítulos
No próximo take: Mateus Lobo volta com mais análises de Novos Lançamentos , além de começar o aquecimento para o grande mês do terror, o Outubroween.
Até a próxima!