Após dirigir Noites Brutais e A Hora do Mal,
Zach Cregger
assume a perigosa missão de reinventar
Resident Evil
, em mais uma tentativa de adaptar a franquia dos jogos pro cinema. Com mais de 30 jogos contando os derivados, Resident Evil mistura exploração, munição escassa, portas trancadas, quebra-cabeças e tensão. Felizmente, Zach Cregger ama e compreende esse universo mais que todas as adaptações anteriores juntas.
O filme apresenta uma trama original, que acontece paralelamente à história do 2º jogo, durante o famoso surto de
Raccoon City
. Acompanhamos Bryan, um entregador comum que é empurrado no pior lugar e na pior hora possível. É como se fosse uma DLC em que acompanhamos um NPC bundão, apavorado, despreparado e tão perdido quanto qualquer um de nós estaria.
O diretor traduz brilhantemente a sensação de jogar. Os jogos de câmera são sensacionais, como se estivéssemos com o controle na mão, procurando munição, nos deparando com vários cadeados bloqueando o caminho e vasculhando ambientes escuros antes que alguma coisa nos encontre. Atmosfera, sustos, sangue, humor, tensão, tudo impecável. Os monstros são grotescos e incríveis, com um body horror que lembra
A Substância
. E, em pleno inferno, Austin Abrams ainda entrega um timing cômico perfeito.
Meu único problema é o final insatisfatório. Mas de resto, é divertidíssimo. Muitos fãs reclamaram da ausência de Leon e Claire ou de uma adaptação literal, mas a trama paralela é justamente o golpe de mestre: parece uma DLC inédita que poderíamos jogar. O filme também funciona pra quem nunca jogou os jogos, então todos saem ganhando. Se Deus quiser, essa será a adaptação definitiva e o renascimento da franquia nos cinemas.