Carrie a Estranha é um dos livros mais famosos de
Stephen King
, mas recontá-lo pela 4ª vez, parecia desnecessário. Porém, confio cegamente no genial
Mike Flanagan
, que dirigiu obras-primas do terror:
A Maldição da Residência Hill, Mansão Bly, Missa da Meia-Noite e A Queda da Casa Usher
. E mais uma vez, ele NÃO DECEPCIONOU! A série é a melhor adaptação de Carrie, superando os 3 filmes.
A série muda muita coisa do livro e melhora vários aspectos, incorporando problemas atuais como o cyberbullying, negligência parental e a normalização dos tiroteios escolares. A trilha sonora é perfeita (vocês lerão muito essa palavra aqui), mas o maior acerto é humanizar TODOS OS PERSONAGENS: cada coadjuvante ganha camadas, inclusive as garotas que praticam bullying com Carrie, cujas inseguranças rompem o estereótipo.
Summer H. Howell
é perfeita como Carrie, assim como
Samantha Sloyan
que interpreta sua mãe! Especialista em mulheres detestáveis, ela dá complexidade a Margaret sem apagar seus abusos.
Alison Thornton
também está perfeita como Chris: a série não justifica sua maldade, mas mostra como transforma sua dor em raiva e a desconta em alvos fáceis como Carrie.
Matthew Lillard
está excelente como o diretor bem-intencionado que foge dos conflitos. O coordenador pedagógico, o professor acusado de pedofilia (Rahul Kohli) e a professora Rita (Amber Midthunder) também enriquecem a trama.
Amo como Flanagan recicla seus atores, especialmente sua esposa,
Kate Siegel
: sem ela, não seria uma série dele! Só não gostei de duas mudanças: a morte de uma personagem que sobrevive no livro e uma alteração polêmica na cena do icônico baile. Também queria mais interações entre Carrie e Sue. De resto, a série é perfeita! O horror nasce tanto dos poderes quanto da crueldade cotidiana e dos adultos que falham em proteger esses adolescentes. Carrie a Estranha está disponível no
Prime Video
e vale cada segundo do seu tempo.