Street Fighter
é um dos grandes símbolos dos jogos de luta. Adaptar isso para o cinema não deveria ser tão complicado, principalmente quando comparado a uma excelente adaptação do gênero:
Mortal Kombat II
. Street Fighter se enrola tanto na própria história que esquece de entregar justamente o que deveria ser sua maior atração: as lutas. Falha em tudo o que Mortal Kombat II acertou (boas batalhas, coreografia e trama direta ao ponto).
O visual acerta: figurinos, cenários e golpes especiais abraçam os games sem vergonha da cafonice. A estética dos anos 90 funciona, e os flashbacks em anime são excelentes!
Ryu e Ken
têm uma boa dinâmica e cenas divertidas, e
Chun-Li
se destaca. Mas o roteiro enfia personagens e subtramas demais sem desenvolver quase ninguém. Balrog, Vega, Cammy e Zangief passam como figurantes de luxo. O filme é galhofa pura.
O pior é que as lutas decepcionam! Falta inspiração e a montagem interrompe qualquer empolgação. Até um plano-sequência é picotado por outras cenas! Poxa, para que reunir tantos lutadores se não vamos assistir à porrada? O humor rende bons momentos, mas nem sempre funciona, as piadas com Blanka, por exemplo, são extremamente bobas. O final me tirou uma risada sincera, mas é bem anticlimático (se é que dá para chamar aquilo de fim).
Nem dá para dizer que saí frustrado. Saí apático. Dá para reconhecer os personagens e curtir as referências, mas fidelidade visual não sustenta uma narrativa. Sem lutas memoráveis, Street Fighter homenageia os jogos, mas esquece de entregar um bom filme.