Lembra quando a Sony insistia em fazer todos aqueles derivados horrorosos dos vilões do Homem-Aranha? A DC resolveu fazer a mesma coisa, SÓ QUE FELIZMENTE: FEZ BEM FEITO.
Matt Hagen
é um ator de Gotham simpático e querido que está vivendo a melhor fase de sua vida: famoso e indicado ao Oscar. Mas, ao se envolver acidentalmente com mafiosos, tem seu rosto retalhado e desfigurado. Abandonado por Hollywood, perde tudo da noite pro dia e no desespero aceita um tratamento nunca testado em humanos capaz de regenerar tecido. A promessa de recuperar a aparência vira o horror de não reconhecer os limites do próprio corpo.
Tom Rhys Harries
está excelente, unindo vulnerabilidade e desespero. Algumas decisões de roteiro apressam sua queda, mas ainda assim, simpatizamos com Matt, morremos de pena e torcemos por ele, até a loucura de Gotham nos lançar na angústia. Com roteiro de
Mike Flanagan
(Maldição da Residência Hill, Mansão Bly e Carrie) e direção de
James Watkins
(Não Fale o Mal), a primeira metade é EXTREMAMENTE AGONIZANTE. A origem de Matt lembra o Doutor Octopus em Homem-Aranha 2 com a deterioração psicológica de Coringa (2019), mergulhando o drama num filme de terror corporal monstruoso.
O maior acerto aqui é que, enquanto a Sony insistia em transformar vilões em heróis, Matt termina SIM como UM VILÃO. Mais do que mostrar sua origem, o filme explora o potencial perturbador do Cara-de-Barro, lhe dando força para ocupar um lugar de destaque na galeria de vilões do Batman.