Você passaria férias numa ilha amaldiçoada? A série da
Apple TV
transforma um cartão-postal em pesadelo e ainda te faz rir no meio dele. Lançada em abril,
O Segredo de Widow’s Bay
foi uma enorme surpresa, ao misturar terror, suspense e comédia com naturalidade.
A temporada passeia por casas assombradas, bruxas, folk horror e slasher, evocando Stephen King. Fotografia, cenários e isolamento fazem da ilha uma personagem, enquanto luto, segredos e culpa aprofundam os mistérios. Diferente de obras que usam do humor para alivia o medo, a comédia subversiva daqui só torna tudo mais estranho e prolonga o desconforto. Tirando o 6º e o 10º, os episódios mais sérios, é impossível não rir com as quebras de expectativa.
Matthew Rhys
está excelente como o prefeito tentando manter a compostura enquanto seu mundo desmorona, equilibrando desespero cômico e vulnerabilidade.
Stephen Root
, como o pescador Wyck, é o contraponto perfeito ao prefeito, transformando cada alerta numa mistura de ameaça e delírio, mas
Kate O’Flynn
rouba a cena como Patricia, tão engraçada quanto humana em sua inadequação social.
Nem tudo funciona: o núcleo adolescente perde para os adultos, e o encerramento soa anticlimático e inconclusivo, ao explicar demais e adiar resoluções, mas amplia a mitologia, preserva a curiosidade e te faz querer permanecer naquele lugar amaldiçoado. A 2ª temporada chega em 2028, e voltarei com prazer.